quinta-feira, 26 de março de 2009

Sobre o medo do fracasso

Numa sexta-feira pela tarde, sobe ao palco uma atriz insegura, com medo e muito ansiosa. Tudo bem que o palco é somente uma sala de aula repleta de pais nervosos, querendo saber como seus filhos estão na escola. E a atriz, bem, digamos que ela apenas finge ser uma professora. Como todo ser meramente mortal, ela sente medo. O que eles vão pensar, o que eles vão dizer? Eles vão gostar de mim? Ok, ok. Chega de melodrama, garota. Vai lá e seja você. Vai lá e mostra sua verdadeira face. Porém, nem todo mundo gosta de nossa verdadeira face, e nós estamos sendo avaliadas em cada segundo de respiração, desde o guarda da escola até a direção. Mas, por qual motivo bendito somos atacados por este medo de fracassar, de fazer errado, de tentar? Quem foi o culpado por esse tal medo? Pois bem, digam que é Deus, mas eu não acredito. Se Deus é bom não faria isso. Isso foi criado pelos homens, só pode ser isso. Os homens não querem passar pelo ridículo, ser quem são. Eles querem sempre ser perfeitos, os melhores. Por um lado é bom, mas por outro... É bom por que evoluímos, crescemos, melhoramos. Mas vejamos nossa civilização (se podemos chamar disto, é claro). Ela gerou tecnologia nunca antes imaginada, mas com isso gerou muito mais violência e inversão de valores. As pessoas tornaram-se poderosas por usarem armas poderosas (acham-se, é claro). A sede de poder é imensa. De meros mortais a semi-deuses. Mas, afinal, o medo de fracassar tem cura? Cura, não. Ou talvez até tenha, mas eu não a conheço. A única coisa que se pode fazer é: abrir a porta da sala, ir lá e dizer o que se tem de dizer, tentando dar o melhor e esperar as reações dos pais. Vamos combinar, professora sofre.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Paciência, filhos de Deus!

Domingo de manhã. Caras de sono e corações apertados. Dezenas de pessoas esperando por uma palavra de conforto e consolação, além da resolução dos seus problemas. E quando todos acham que ele, aquele ser de roupa branca e microfone na mão, vai contar o segredo que todo mundo quer saber, a receita para a resolução de tudo, ele diz: "Paciência, filhos de Deus!". Paciência? Paciência é tudo que eles não têm. Querem, querem agora, neste exato momento. É pedir demais, não é mesmo?! Não, não é. A vida é rápida. Não é eterna. Por isso ninguém tem paciência. Para que paciência, não é mesmo?! Se não se tem paciência, se grita, berra, esperneia, chora, faz cena e consegue-se aquilo que quer na hora. Mágica, segredo?! Não, todo mundo nasce sabendo isso, é instinto. Veja um bebê. Ele não sabe falar e nem expressar suas vontades e o que ele faz?! Chora, esperneia e se ninguém o atende aumenta o volume até que alguma alma entenda que ele quer alguma coisa, nem que seja um colo. Quando crescemos não aprendemos esta arte. Arte, sim, por que todas coisas que encantam são arte. E encanta a todos uma pessoa que consegue ter paciência de esperar que as coisas aconteçam dentro do tempo previsto. Por que se as coisas forem acontecer, elas acontecem. Porém ninguém fica calminho, esperando. Elas ficam ansiosas, estressadas, preocupadas, não sabendo que isso é perda de tempo maior do que ter paciência. Mas, vamos ser francos, qual a graça de ter paciência?! Você nunca tem nada para contar, se está ansiosa ou preocupada com aquele problema no emprego, se está arrancando os fios de cabelo por aquela conta enorme... Paciência, filhos de Deus!

terça-feira, 3 de março de 2009

Sobre amores bem vividos

É, foi assim. Como todos os romances deveriam acontecer e acontece nos livros. Não é amor à primeira vista. É coisa de pele. É coisa de histórias. Aquele moreno, alto, olhos castanhos profundos, de uma beleza inconfundível, com um olhar estranho, profundo, sensível e cativante. O sorriso tímido, sereno, apaixonante... Ah! Aquele sorriso... Já não podia mais dizer que nunca tinha encontrado o meu príncipe, porque, sim, eu acreditava em contos de fada. Acreditava que aquele príncipe chegaria na minha vida. Mas não naquele momento. Naquele momento estava ferida, desiludida, queria um beijo, um carinho e nada mais. Queria pensar numa carreira brilhante e só. Queria dar orgulho aos seus pais. Queria fazer uma descoberta científica aos 16 anos que mudaria a história da ciência. Queria escrever um livro de sucesso. Queria ser uma juíza conhecida por seu excelente trabalho. Mas no momento era apenas uma aspirante a professora. E sabe que professora é aquela coisa. Aquela coisa, sabe?! A coitadinha, a pobrezinha, a que aguenta os pirralhos e tenta lhe enfiar na cabeça que 2+2 são 4 e que Pedro Àlvares Cabral descobriu o Brasil (sim, todos acham que professores são mal-informados e que não leem). Tudo mudou. Aquela presença mexia com seu eu. Mexia com seu corpo, com sua essência, com suas idéias e concepções. E por mais estranho que pudesse parecer ela gostava disso. Gostava de se sentir tocada, se sentir viva de novo. Por um momento estava completamente entregue aquela sensação. Só por um momento. Aos poucos ficou receosa, se sentindo iludida, e quis acabar com essa sensação. Engano leviano seu. Procurou viver a vida de antes. Procurou braços que acolhessem, mas aquela sensação não lhe saía da cabeça. De repente a vida lhe prega uma peça. De novo, não. Não podia estar tão envolvida, não podia sofrer. Não queria que aquilo a tomasse, que aquilo a fizesse perder o controle. Ela nunca gostou de perder o controle de sua vida, mas desta vez não teve gosto ou desgosto, ela estava envolvida. Ele chega devagar, aguarda a saída de pessoas e olha para ela com seu jeito manso e dominador. Segura ela pela cintura, aproxima seu rosto e quando ela menos espera... O seu sonho tornou-se realidade. Encontrou seu príncipe. Aquilo que complementa sua alma. Seu beijo inconfundível é prova disso. Se hoje ela é feliz e tem uma alma radiante, a culpa é dele. Ela não pediu que ele entrasse na vida dela. Ele simplesmente entrou e até hoje de lá ele nunca saiu.