Ao Caro Marx

Já não é de hoje que leio alguns de seus escritos e teorias. Desde aquele tempo em que eu imaginava que ser professora era vocação, privilégio. Sentava naquela cadeira desconfortável, folheava o livro de filosofia e lá estava você: Karl Marx. Num primeiro momento estranhei aquela confusão de palavras feito estar perdida diante de uma multidão afoita. Queria conhecê-lo, mas não foi fácil e nem está sendo. Esta sociedade capitalista, a qual tanto se refere em suas obras e falas, continua viva, parece-me que até com mais intensidade e mais disfarçada. Conhecer esta realidade foi como tirar doce de criança ou a esperança de alguém do proletariado, como queira. O Sr criticava tanto a distinção de classes, mas por que então falava tanto nelas?! Muitas vezes para se resolver um problema, deve-se fazer em silêncio, pois quanto mais se versa sobre algo, mais presente está. E este é um truque da imprensa; é só analisar e observar como cria-se pânico facilmente na população, explicitando em todos telejornais e em todos os momentos tais reportagens que levam ao "delírio".
Caro Marx, passei aquele tempo de ilusão docente sempre acreditando no que o Sr pregava: a educação deve ser igualitária, sem distinção de classes, levando a transformação da sociedade. Transformar e não reproduzir. Porém, é sabido que precisamos manter vivo muito de nossas culturas para que as mesmas não se percam no tempo. Para isso, é necessário a reprodução. Apesar de compartilhar do desejo de transformação da sociedade, hoje compreendo o qual complexo este processo é, pois transformar é criar uma nova herança cultural, deixando de lado esta personificação, estes vícios que causam tanto mal à sociedade.

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Neste instante e nunca mais

É incrível como o tempo é relativo, assim como nossos pensamentos. Sentimos o tempo escorrer entre nossas mãos frágeis e aconchegantes, como se o mesmo fosse ouro perdendo-se num poço sem fim. Outras vezes, o tempo passa tão vagarosamente, tão tediosamente que nossos impulsos são de completá-los com atividades qualquer. Nas duas maneiras que os sentimos ele é doloroso.
Quando o tempo passa rapidamente, sentimos como se ele não fosse suficiente, que tudo foi tão bom, mas tão depressa que nem tivemos tempo de perceber a grandiosa beleza do mesmo. Mas quando ele é passado de maneira vagarosa, nossas dores e desencantos parecem nunca terem fim. Além de, aliás, estarmos colocando fora o precioso senhor da vida.
É isso, senhor da vida. O tempo rege tudo, mas, ao contrário do que se pensa, não cura. O que cura é nosso bom senso, que às vezes leva tempo para agir. Nossa vida é controlada pelo tempo, vivemos em função dele e muitas vezes acabamos de curtir o momento por causa dele. Sentimo-nos preso a este senhor da vida.
Seria totalmente maravilhoso se pudessémos possuir a imortalidade... Sem medo do finito, sem culpas pelo desgaste, sem contas a prestar ao tempo! Talvez o sonho de todo ser vivo, principalmente da espécie humana.

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Sobre os namorados

Paquera, ficante, rolo... É, eu não sou moderna a ponto de chamar alguém assim. É amigo ou é namrado. Sem mais, nem menos. Coisa estranha um ser humano denominar o outro de rolo. Por acaso alguém aí é um papelzinho que se enrola? Cada um dê o nome que quiser ao outro ser que ama, que beija ou que simplesmente sente atração. Ou às vezes nada disso, é apenas alguém pra companhia, pra não se sentir sozinha, nem estar fora do grupo social. Sim, sim, existe um grupo social para os acompanhados, ou você acha que os solteiros querem andar com gente acompanhada? NÃO! É sempre aquela briguinha "inconsciente" (mais consciente do que nunca): -Bah, queria ir, mas minha mãe me convidou pra ir ao cinema (levando em conta que alguém solteiro num sábado à noite dispense alguma festa, mas tudo bem, eu finjo que acredito).
Acho uma coisa linda aqueles orkuts cheios de declarações, comentários em foto, depoimentos, comunidades lindas, etc, etc, etc e dois dias depois do "rolo" começado, tudo acaba em mimimimi. Fala sério! Alguém aí avisa que isso é totalmente "cafona"? Depois chama eu de cafona, mas eu uso bom senso (aliás, hoje em dia, ele anda esquecido)!
Eu tenho namorado e sou cafona (está bom, eu assisti "Ela e os caras"!). A pergunta "cruel": - Tem namorado? - Tenho, tenho sim. Simples, viram? Qual o problema em se entregar ao sentimento e passar os melhores momentos da sua vida? Dane-se se tudo acabar amanhã, se foi uma perda de tempo estar 3 anos juntos com ele. Eu vivi e foi maravilhoso. Agora ficar nesse enrola, enrola, não dá. E se o seu querido "paquera" está te tratando como "rolo", pense bem e converse com ele, ele pode não estar tão a fim de você. ;)

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Olá, tecnologia!

É humanamente impossível, num mundo como o de hoje, estar "desconectado", estar à margem da tecnologia. Pode até ser paradoxo ou incoerente, mas ao passo que a humanidade se torna mais tecnológica, os índices de pobreza e violência aumentam. Isto é totalmente óbvio, certo?! Não. Os índices de problemas sociais deveriam diminuir, visto que com maior tecnologia, mais facilmente os problemas são resolvidos, como na área da saúde, da alimentação, da educação... Mas como tudo que cai nas mãos das pessoas, que atualmente esqueceram-se do bom senso, acaba indo por água a baixo, sem generalizações, é claro. A sede pelo poder, a glória, o dinheiro, o sucesso acabam corrompendo nossa grande sociedade capitalista e que se diz democrática. Será?! Dos votos que confiamos aos políticos que julgamos o mais apropriado (ou quem sabe o menos corrompido) apenas alguns são utilizados nele. O restante passa aos políticos da coligação. Perfeito. Somos seres de escolha, de voto livre! É realmente deprimente. Tecnologia, doce tecnologia, que grande progresso nos trouxeste! Tu nos conectaste ao mundo virtual e nos desligou do mundo real. Nada contra a tecnologia, nem ao progresso, mas tudo a favor dos valores e do nosso amado bom senso.

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Cansaço

Queria ser imortal para não ter medo do terrível amanhã. Imaginar que se hoje estou exausta, não importa, tenho todos os amanhãs para me restaurar e curtir a vida. Não envelheço, não me deterioro. Sou eterna. Não preciso de pressa, não tenho medo do impossível. Nada será sonho. Tudo será realidade próxima e real. Não existirá violência, pois a vida não terá fim. Não existirá nenhuma mãe chorando por ter seu filho morto tão brutalmente e tão precocemente, ele é imortal. Não teremos pessoas agitadas, inquietas, estressadas, apressadas e que esquecem o sorriso. Elas não precisam correr sempre, elas têm todo o tempo do mundo. O tempo não será relativo e portanto você pode passar tanto tempo ao lado de quem você ama, se quiser esquecê-lo terá todo o tempo e nunca será tarde se encontrar um novo amor.
Seria tudo tão bom... Cansaço físico nem mental será problema, eles terão tempo ínfimo e serão besteiras. Logo, você estará bem e não importa se você ficar deitado mais um pouco existe todo o tempo para aproveitar a maravilhosa tarde de domingo que você desperdiçou com um plano de aula, nem um passeio não feito por estar ocupada lendo sobre como lidar com crianças hiperativas. E não haverá culpa e todo esse trabalho será mais que prazeroso e nem um pouco estressante. Haverá um outro final de semana, outro passeio e várias outras oportunidades. Imortalidade, seja bem-vinda! Cansaço, adeus, querido!

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Sobre o medo do fracasso

Numa sexta-feira pela tarde, sobe ao palco uma atriz insegura, com medo e muito ansiosa. Tudo bem que o palco é somente uma sala de aula repleta de pais nervosos, querendo saber como seus filhos estão na escola. E a atriz, bem, digamos que ela apenas finge ser uma professora. Como todo ser meramente mortal, ela sente medo. O que eles vão pensar, o que eles vão dizer? Eles vão gostar de mim? Ok, ok. Chega de melodrama, garota. Vai lá e seja você. Vai lá e mostra sua verdadeira face. Porém, nem todo mundo gosta de nossa verdadeira face, e nós estamos sendo avaliadas em cada segundo de respiração, desde o guarda da escola até a direção. Mas, por qual motivo bendito somos atacados por este medo de fracassar, de fazer errado, de tentar? Quem foi o culpado por esse tal medo? Pois bem, digam que é Deus, mas eu não acredito. Se Deus é bom não faria isso. Isso foi criado pelos homens, só pode ser isso. Os homens não querem passar pelo ridículo, ser quem são. Eles querem sempre ser perfeitos, os melhores. Por um lado é bom, mas por outro... É bom por que evoluímos, crescemos, melhoramos. Mas vejamos nossa civilização (se podemos chamar disto, é claro). Ela gerou tecnologia nunca antes imaginada, mas com isso gerou muito mais violência e inversão de valores. As pessoas tornaram-se poderosas por usarem armas poderosas (acham-se, é claro). A sede de poder é imensa. De meros mortais a semi-deuses. Mas, afinal, o medo de fracassar tem cura? Cura, não. Ou talvez até tenha, mas eu não a conheço. A única coisa que se pode fazer é: abrir a porta da sala, ir lá e dizer o que se tem de dizer, tentando dar o melhor e esperar as reações dos pais. Vamos combinar, professora sofre.

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Paciência, filhos de Deus!

Domingo de manhã. Caras de sono e corações apertados. Dezenas de pessoas esperando por uma palavra de conforto e consolação, além da resolução dos seus problemas. E quando todos acham que ele, aquele ser de roupa branca e microfone na mão, vai contar o segredo que todo mundo quer saber, a receita para a resolução de tudo, ele diz: "Paciência, filhos de Deus!". Paciência? Paciência é tudo que eles não têm. Querem, querem agora, neste exato momento. É pedir demais, não é mesmo?! Não, não é. A vida é rápida. Não é eterna. Por isso ninguém tem paciência. Para que paciência, não é mesmo?! Se não se tem paciência, se grita, berra, esperneia, chora, faz cena e consegue-se aquilo que quer na hora. Mágica, segredo?! Não, todo mundo nasce sabendo isso, é instinto. Veja um bebê. Ele não sabe falar e nem expressar suas vontades e o que ele faz?! Chora, esperneia e se ninguém o atende aumenta o volume até que alguma alma entenda que ele quer alguma coisa, nem que seja um colo. Quando crescemos não aprendemos esta arte. Arte, sim, por que todas coisas que encantam são arte. E encanta a todos uma pessoa que consegue ter paciência de esperar que as coisas aconteçam dentro do tempo previsto. Por que se as coisas forem acontecer, elas acontecem. Porém ninguém fica calminho, esperando. Elas ficam ansiosas, estressadas, preocupadas, não sabendo que isso é perda de tempo maior do que ter paciência. Mas, vamos ser francos, qual a graça de ter paciência?! Você nunca tem nada para contar, se está ansiosa ou preocupada com aquele problema no emprego, se está arrancando os fios de cabelo por aquela conta enorme... Paciência, filhos de Deus!

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